Comércio do Rio tem baixa procura por artigos do Brasil

Ruas do Saara, no Centro, estão decoradas nas cores canarinhas, mas os consumidores ainda seguem pouco animados com as compras

por Mellyna Reis ter, 12/06/2018 - 16:06
Mellyna Reis/LeiaJáImagens Nas ruas do Saara, no centro do Rio, as lojas investiram mais em artigos juninos do que em produtos do Brasil Mellyna Reis/LeiaJáImagens

RIO DE JANEIRO - O Brasil estreia contra a Suíça na Copa do Mundo da Rússia, no próximo domingo (17), mas as vendas de artigos referentes ao país ainda estão em ritmo bem abaixo do esperado, nas ruas do Saara, principal comércio popular localizado no Centro do Rio. 

Há uma diversidade considerável de produtos tanto nas lojas, como entre os ambulantes, para todas as idades, tamanhos e gostos. Contudo, um número menor de lojas de importados e também no Camelódromo da Uruguaiana, o mais conhecido da capital carioca, investiu na oferta de produtos que remetem à seleção canarinha. 

Fábio Casemiro, ambulante que vende artigos diversos há mais de 15 anos, na Uruguaiana, acredita que, esta semana, as vendas devem aumentar. "Tá devagar ainda, mas vai melhorar", espera. As lojas que vendem produtos para festas são as que mais oferecem opções, mas também estão sentindo um certo desânimo do torcedor brasileiro. 

"Agora que está começando a dar movimento. As pessoas estão começando a dar uma animada agora", conta a funcionária da BrinkMania, Pâmela do Amaral, ao relembrar que o movimento na Copa passada era bem maior. Segundo a operadora de caixa, os produtos mais procurados são cornetas, vendidas a partir de R$ 2,20 e bandeiras, que custam a partir de R$ 3,90. 

Alguns estabelecimentos só usaram as cores do Brasil como adorno, sem oferecer produtos. Outros optaram por reparoveitar o estoque para não passar batido. "Não sai, não vende. O povo não está comprando", explicou a gerente de loja, Lidiane dos Santos, sobre a decisão do patrão de não investir em produtos do Brasil. 

Trabalhando há cinco anos no local, Lidiane revela que as poucas opções da loja são produtos antigos, de até 12 anos atrás, cujos preços variam R$ 2 a R$ 12. Ela também sentiu a baixa procura em comparação com 2014. "O povo está desanimado com o Brasil, não enfeita mais as ruas. Quem vai ficar enfeitando as ruas com essa crise que a gente tá?", questiona. 

Conhecidas pela infinidade de acessórios para o Carnaval e festas em geral, as ruas do Saara representam o 'vuco-vuco' carioca, com uma movimentação aquecida ao longo de todo ano. Essa fama atraiu a oficial marítima, Moara de Souza Lima, que comprou artigos para acompanhar o mundial com os colegas de trabalho embarcados em um cruzeiro. 

"Mesmo estando a bordo a gente vai conseguir assistir aos jogos todos da primeira fase. Já que não vamos estar com a família, temos que estar com os amigos de profissão que embarcam com a gente", disse. O fato de poder acompanhar alguns dos jogos é o que tem animado a equipe que vai passar 28 dias direto em alto mar. 

"Nessa a gente está mais empolgado. A gente espera que pelo menos supere os 7 a 1, né? Porque isso daí ficou marcado. Mas a gente está com uma esperança sim que vai dar uma melhorada, aí quem sabe esse ano sai, né?", brinca. 

Se por um lado há empresários que optaram por não arriscar muito, o comércio de camisas é o mais otimista com a Copa. É o caso da Dimona, loja de personalização especializada em camisas, que possui quatro unidades no Saara e outras duas em Copacabana e na Barra da Tijuca, além do e-commerce.

"A gente sempre explora bastante os grandes eventos que acontecem e, para esse período de Copa do Mundo, a gente está apostando muito nma linha para torcida brasileira. A gente vende produtos personalizáveis, nde as pessoas podem vir e criar as próprias estampas, colocar nome na camisa, número de jogador, enfim", explica o sócio da rede, Leonardo Zoneschein.

Leonardo Zoneschein, sócio da Dimona, está otimista com as vendas da Copa. Foto: Mellyna Reis/LeiaJáImagensApesar de deter a licença da marca Time Brasil, fruto de um contrato assinado com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) até os Jogos de Tóquio 2020, a Dimona lançou uma coleção verde-amarela especialmente para esta Copa.

"A gente tem uma linha de camisas lisas para que as pessoas possam trazer suas ideias e fazer as suas próprias camisas, tanto individuais como em grupo. A Copa é um período onde as pessoas se reúnem muito para assistir os jogos, então, as camisas de grupo cada vez mais é uma tendência forte", afirma. 

A loja oferece camisas desde R$ 9,90 até casacos de R$ 99,90 sem personalização. O empresário se diz satisfeito com o movimento e ainda prevê um aumento na procura nos próximos dias. "A gente atende empresas, então a gente acaba fazendo muitas camisetas de uniformes de equipes que querem botar os seus funcionários nas cores do Brasil. Não tem jeito, é um período em que a gente pode estar em crise, pode estar vivendo uma série de situações, mas o brasileiro é apaixonado por esse evento e os produtos acabam sendo super desejados nesse momento", ressalta. 

Mesmo após uma operação policial realizada no fim de maio, que apreendeu três toneladas de material contrafeito e maquinário em uma fábrica de camisas na favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio, os produtos são facilmente achados no camelódromo da Uruguaiana. Nos boxes, as réplicas das camisas da seleção variam entre R$ 50 a R$ 150, a depender do nível de semelhança com a original confeccionada pela Nike.

Pesquisa

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), não há motivo para desânimo. Com base na pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a federação estima que a Copa de 2018 injetará mais de R$ 100 milhões no comércio da Região Metropolitana do Rio.

O levantamento aponta que 20% das famílias da Região Metropolitana têm intenção de consumir itens em decorrência do evento esportivo, com um gasto médio estimado R$ 250. Ainda de acordo com a pesquisa, 46,6% dos entrevistados disseram ter a intenção de gastar mais de R$ 300.

Dentre aqueles que declararam que vão gastar para o evento, os itens que mais serão consumidos são vestuário (7,1%), alimentos e bebidas (6,4%), televisores (4%) e celulares/eletrônicos (1,6%). A compra em lojas físicas e o pagamento à vista são os preferidos entre os torcedores, com 73,2% e 56,4%, respectivamente. 

A Fecomércio-RJ acredita que a intenção de maiores gastos na faixa mais alta está diretamente ligada à melhora no saldo de emprego no estado do Rio, registrada nos últimos dois meses.

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